quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Sonhos de Natal



Tirei esta fotografia em Abril de 2005, em Antigua, na Guatemala. Do lado esquerdo consegue-se ler, mal, "Casa de los Sueños", o que apenas se me revelou muito tempo depois, alertado por alguém. Os sacos de algodão-doce que o rapaz vendia eram afinal sonhos, no que se transformou numa narrativa não assumida por mim no início. A fotografia também pode ser isto, a revelação de pormenores ou sentidos que escapam ao fotógrafo no momento do enquadramento no espaço e no tempo, ou mesmo na motivação que determinou a captação de um certo momento. Chamo a isto o "terceiro acto da fotografia", pois tal como na magia, em que é suposto olharmos para o lado errado da acção para que o "truque" aconteça, também na fotografia por vezes é suposto não olharmos para o lado certo, o que acaba por permitir a prestidigitação ou o ilusionismo.

Boas festas a todos.

Publicada por Rui Hermenegildo à(s) 02:49 | 3 comentários   Hiperligações para esta mensagem
quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Digital forgetting




Ora aí está uma boa ideia, veiculada pela Wired.UK, do esquecimento digital.

Este post auto-apagar-se-á depois de o ter lido. Experimente.
Publicada por Rui Hermenegildo à(s) 18:17 | 0 comentários   Hiperligações para esta mensagem
quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Casamento por conveniência

Na passada Sexta-feira, Warren Buffet, ao lado de Bill Gates, na CNBC, quando questionado sobre o que devemos fazer quando não sabemos o que fazer com as nossas vidas, responde, e cito, “Casem com a pessoa certa, e estou a falar a sério quando digo isto, [aplausos!] . Significará uma enorme diferença nas vossas vidas. Mudará as vossas aspirações, modificará tudo. É importantíssimo com quem casamos.” Já conhecíamos a expressão francesa “Cherchez la femme”, ou então, a de que “por detrás de um grande homem está sempre uma grande mulher”, cuja origem desconheço, que deduzo que funcionem também com a inversão do género ou na sua versão homossexual, não quero ser politicamente incorrecto; agora temos o “cuidado com quem casam pois disso depende conseguirem ou não os 100 biliões de dólares seguintes ”. Está bem, também diz que é importante trabalharmos sempre sem que a motivação principal seja o dinheiro, para uma pessoa ou uma instituição que admiramos e em algo que nos excita, mas o que me saltou à vista foi este conselho tão “conservador”. No fundo, estamos aqui perante a sublimação da “família” enquanto garantia do sucesso individual. Bem sei que Warren Buffet, apesar das suas qualidades empreendedoras, não é propriamente conhecido pelos seus comportamentos arrojados ou excêntricos, adjectivos que reserva seguramente para os seus investimentos. Basta pensar nas cartas que anualmente escreve aos accionistas da Berkshire Hathaway, como se dos seus filhos se tratasse. Mas será que um bom casamento é sinónimo de êxito empresarial? Neste caso, não sei o que andam a fazer as escolas de gestão por esse mundo fora, literalmente a devorarem orçamentos de empresas e famílias, quando bastaria que se organizassem bailes de debutantes ou encontros de “speed-dating”. E o que devemos fazer primeiro, casar ou iniciar um negócio? Deveremos concluir que não haverá “break-even” sem “honeymoon” [aplausos!]? O que pensaria Warren Buffet da "união civil registada"?

Solteiros do mundo, uni-vos!
Publicada por Rui Hermenegildo à(s) 03:14 | 1 comentários   Hiperligações para esta mensagem
sábado, 26 de setembro de 2009

Amanhã há festa na Atalaia





Para antecipar as eleições nada como uma boa festa. Amanhã estarei nos pratos do clássico Mahjong, com muito parti pris.
Publicada por Rui Hermenegildo à(s) 00:29 | 0 comentários   Hiperligações para esta mensagem
terça-feira, 22 de setembro de 2009

Obscenidades

Num momento em que a discussão política caminha para a total irracionalidade e irrelevância, a Obscena apresenta uns quantos princípios de uma política para o sector cultural.

Disclaimer: participámos na redacção dos ditos.
Publicada por Rui Hermenegildo à(s) 02:50 | 0 comentários   Hiperligações para esta mensagem
quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Manafon



Manafon estará apenas à venda no dia próximo dia 14 de Setembro, mas já se pode ouvir o primeiro single, Small Metal Gods, aqui. Entretanto podemos ler uma entrevista com o eremita Sylvian e sobre o seu novo método de composição finalmente assumido, o IMPROV, que como o próprio nome indica deriva da improvisação, no número de Setembro da revista WIRE. Vale a pena ler o que este tem a dizer sobre a humanidade e o processo criativo.

Manafon é o nome da aldeia onde o poeta galês RS Thomas vivia. Aviso à nevegação: Thomas não gostava de pessoas e Sylvian vive isolado do mundo 90% do seu tempo desde que, em 2005, se separou de Ingrid Chavez. Nota positiva: tem internet, apesar de tudo.
Publicada por Rui Hermenegildo à(s) 03:46 | 0 comentários   Hiperligações para esta mensagem
terça-feira, 25 de agosto de 2009

The Sartorialist




Acho que nunca ninguém estudou, pelo menos com a profundidade que este merece, o “visual totalitário”, chamemos-lhe assim, o que é realmente uma pena. Ninguém me convence, no entanto, que este não é um filão "com pano para mangas". Ocorrem-me estes pensamentos com a sofisticação própria da alta-costura devido às mais recentes imagens de Fidel Castro. Ora não é que o ex-déspota outrora sempre impecavelmente vestido, com a sua farda militar tão grave quanto reverencial, em todas as suas raras aparições públicas depois do abandono da vida activa, surge agora com um leve e gracioso fato de treino. Bem sei que o uniforme, depois de 50 anos de utilização contínua e continuada, pode ser cansativo, para não dizer outra coisa, mas o povo oprimido não merecia esta desconsideração. Pelo menos o "Grande Líder" ainda se mantém fiel ao seu visionário estilo "American Apparel".


Publicada por Rui Hermenegildo à(s) 17:05 | 0 comentários   Hiperligações para esta mensagem
quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Açorianos



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terça-feira, 4 de agosto de 2009

MONTE PALACE

O Hotel Monte Palace, no Miradouro da Vista do Rei, na Lagoa das Sete Cidades, na ilha de São Miguel, nos Açores, encontra-se encerrado, ou deveria dizer abandonado?, há vinte e um anos, nem mais nem menos. O senhor José Sousa, uma espécie de guardião do templo, teve a amabilidade de me deixar entrar. O dia estava escuro e o nevoeiro não deixava ver a lagoa, mas as lágrimas ocres que escorriam das paredes era mais do que visíveis. Uma televisão francesa tinha utilizado recentemente o hotel como cenário para um filme pelo que os vestígios da produção ainda despontavam em alguns recantos. Não entendo como se deixam chegar as coisas até este ponto... mas parece que o hotel foi de novo comprado. Veremos.








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terça-feira, 14 de julho de 2009

Andei por Pasárgada*




"Estas imagens têm como contexto uma viagem ao Brasil, em Abril de 2009, e pretendem ser uma reacção a uma fotografia de massas, quer pelo meio utilizado quer pelas histórias que veiculam. Todas são fotografias analógicas e todas resultam de uma utilização minimal, para não dizer frugal, da máquina fotográfica. Ao longo de duas semanas andei por Pasárgada, esse lugar tão ideal como real imortalizado pelo poeta brasileiro Manuel Bandeira, onde a existência é uma aventura. São, por isso e também, fotografias de viagem, mas em que esta constitui apenas um pretexto para uma reflexão mais prolongada sobre os diferentes processos narrativos que iniciamos quando decidimos sair do nosso espaço de conforto. A amostra destila quatro instantes que acrescentam um Brasil para além do óbvio e do imediato, ou pelo menos a impressão que me causou este país onde a Língua Portuguesa encontra uma coreografia que nós portugueses nunca vamos conseguir dançar. "

*“Vou-me embora pra Pasárgada” é o título de um poema de Manuel Bandeira, Pernambuco, 1886-1968.

PARA CONTINUAR A LER AQUI.
Publicada por Rui Hermenegildo à(s) 05:42 | 0 comentários   Hiperligações para esta mensagem
quinta-feira, 2 de julho de 2009

[OBSCENIDADES]



[NOVO SÍTIO, NOVO NÚMERO]
Publicada por Rui Hermenegildo à(s) 21:33 | 0 comentários   Hiperligações para esta mensagem
terça-feira, 26 de maio de 2009

Extra ecclesiam nulla salus



[Fotogramas de  de Federico Fellini, 1963]

GUIDO Tu saresti capace di piantare tutto e ricominciare la vita daccapo? Di scegliere una cosa, una cosa sola, e di essere fedele a quella, riuscire a farla diventare la ragione della tua vita. Una cosa che raccolga tutto, che diventi tutto proprio perché è la tua fedeltà che la fa diventare infinita. Saresti capace? (…)

CLAUDIA E tu? Saresti capace? (…)

GUIDO No, questo tipo no, non è capace. Questo vuole prendere tutto, arraffare tutto, non sa rinunciare a niente. Cambia strada ogni giorno perché ha paura di perdere quella giusta, e sta morendo, come dissanguato.

Federico Fellini dizia que este filme não era para entender, que era para sentir, que seria inglório tentar encontrar um fio condutor ou uma filosofia que lhe estivesse subjacente, que era apenas um filme sobre um realizador atormentado e em crise de identidade, enfim, sobre a vida que era para ser vivida e não pensada ou sequer explicada. Este diálogo, no entanto, entre Guido-Mastroianni e Claudia-Cardinale, para mim, contém toda uma filosofia da existência, uma chave de salvação que, por ser impossível de alcançar, ou pelo menos por mim, serve apenas de justificação para todos os nossos comportamentos. Guido dizia ao Cardeal, no início do filme, que não era feliz, ao que este lhe retorquia por que razão pretendia ele ser feliz. Extra ecclesiam nulla salus. Não existe salvação fora da Igreja, dizia-lhe o Cardeal. Não era na Igreja, seguramente, que Fellini procurava a salvação, mas porventura na abnegação e na capacidade de renúncia, e este diálogo é bem esclarecedor a este respeito. Todos somos confrontados com isto diariamente, com esta escolha de caminhos, mas nem todos temos a coragem de escolher apenas um, ou pelo menos em definitivo. Cláudia, na fonte, oferecia-lhe a água purificadora, mas Guido tinha medo. Cláudia repetia-lhe, “Não sabes amar, não sabes amar, não sabes amar”.  E não sabia. Mas salvou-se.

Publicada por Rui Hermenegildo à(s) 20:15 | 4 comentários   Hiperligações para esta mensagem
sexta-feira, 22 de maio de 2009

Fernanda, Canse-o



[Este requerimento chegou-me por email, anónimo, e desconfio que viole algum segredo de justiça]

Requerimento a Fernanda

Ó Fernanda, dado
que já estou cansado
do ar teatral
a que ele equivale
em todo o horário
de cada canal,
no noticiário,
no telejornal,
ligando-se ao povo,
do qual ele se afasta,
gastando de novo
a fala já gasta
e a pôr agastado
quem muito se agasta
por ser enganado.
Ó Fernanda, dado
que é tempo de basta,
que já estou cansado
do excesso de carga,
do excesso de banda,
da banda que é larga,
da gente que é branda,
da frase que é ópio,
do estilo que é próprio
para a propaganda,
da falta de estudo,
do tudo que é zero,
dos logros a esmo
e do exagero
que o nega a si mesmo,
do acto que é baço,
do sério que é escasso,
mantendo a mentira,
mantendo a vaidade,
negando a verdade,
que sempre enjoou,
nas pedras que atira,
mas sem que refira
o caos que criou.
Ó Fernanda, dado
que já estou cansado,
que falta paciência,
por ter suportado
em exagerado
o que é aparência.
Ó Fernanda, dado
que já estou cansado,
ao fim e ao cabo,
das farsas que ele faz,
a querer que o diabo
me leve o que ele traz,
ele que é um amigo
de Sao Satanás,
entenda o que eu digo:
Eu já estou cansado!
Sem aviso prévio,
ó Fernanda, prive-o
de ser contestado!
Retire-o do Estado!
Torne-o bem privado!
Ó Fernanda, leve-o!
Traga-nos alívio!
Tenha-o só num pátio
para o seu convívio!
Ó Fernanda, trate-o!
Ó Fernanda, amanse-o!
Ó Fernanda, ate-o!
Ó Fernanda, canse-o!

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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Princess Tinymeat



Julgava que era o único doido a ter um EP dos Princess Tinymeat, essa banda obscura dos anos oitenta formada por Binttii, uma personagem impossível de existir nos anos zero-zero, em que tudo é uma encenação, e que chegou a integrar os não menos obscuros Virgin Prunes. Mas eis que ontem à tarde, a caminho de casa, a ouvir a Rádio Oxigénio, algo que apenas faço quando o Pedro Ramos entra em delírio, alguém (?) lembrava a música "Angels in Pain". Não resisti e por isso aqui fica. A memória é uma coisa tramada. É o que dá ter sido "gótico", eh, eh.

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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Este momento



Chavela Vargas, a amiga mexicana, que afinal nasceu e era da Costa Rica, de Pedro Almodóvar, companheira de Frida Khalo e de Diego Rivera, entre outros, acaba de celebrar o seu nonagésimo aniversário.
Em entrevista ao El País Semanal, quando questionada sobre a época da vida com que ficaria se tivesse de o fazer, dispara um categórico "Este momento". E continua, "Sí. Estoy bien. Estoy centrada. No me he desbocado. Ni me siento más de lo que soy, ni menos tampoco. Estoy en un término justo."

Eu também ficava com este momento, obrigado, mas não tenho noventa anos.


Publicada por Rui Hermenegildo à(s) 16:32 | 1 comentários   Hiperligações para esta mensagem
quarta-feira, 6 de maio de 2009

O resto é ruído



[Mahler e Strauss à saída da ópera de Grätz em Maio de 1916 numa fotografia de Gilbert Kaplan]


Alex Ross é crítico de música na New Yorker e, em 2008, foi seleccionado "MacArthur Fellow".
Para quem não sabe, os MacArthur Fellowships são atribuídos anualmente pela MacArthur Foundation sob a bastante esclarecedora estratégia de comunicação "Out of the Blue — $500,000 — No Strings attached". Ou seja, todo os anos, entre 20 e 30 pessoas recebem quinhentos mil dólares, sem qualquer compromisso que não seja continuarem a ser eles mesmos. Naturalmente, todos são escolhidos pela sua criatividade e originalidade bem como pelo seu potencial para contribuírem de forma importante para o futuro (sic). Desde 1981 até 2008 foram seleccionados 781 "Fellows" e na longa lista encontramos nomes como Merce Cunningham, Thomas Pynchon, Ornette Coleman, Bill Viola, Mark Strand, Harold Bloom, Susan Sontag, entre outros ilustres mais e menos conhecidos. Desconheço se existe algum estudo sobre o impacto deste programa, mas parece-me óbvio que a taxa de sucesso deverá ser bastante inferior a 100%. Os actos falhados serão seguramente compensados pelos casos de sucesso que serão o equivalente à lotaria de Natal, com a única diferença que a sorte não é um factor determinante.
Alex Ross é um caso de sucesso: para além de reconhecido crítico musical, escreveu em 2007 o livro que me vai ocupar nos próximos tempos: "The rest is noise, Listening to the Twentieth Century". Uma história da música do Século Vinte parece uma tarefa impossível para 600 páginas, mas o livro inicia com um daqueles eventos que marcam a História dos homens e deixa adivinhar que as restantes páginas se irão suceder com o mesmo ritmo que as primeiras 50. Em 16 de Maio de 1906 Richard Strauss dirigiu, pela segunda vez, a sua ópera maldita, Salome, cujo libreto é baseado na peça de Oscar Wilde, na cidade austríaca de Gräz pois os censores imperiais não permitiram que o fizesse em Viena. A esta cidade confluíram personalidades tão importantes para a história da música como Gustav Mahler, Giacomo Puccini, Arnold Schoenberg, Alexander Zemlinsky, Alban Berg e, espantem-se, Adolf Hitler, então com dezassete anos. Segundo Alex Ross, Hitler teria confidenciado mais tarde ao filho de Strauss que tinha pedido dinheiro emprestado a familiares para fazer a viagem, mas a sua presença é, no entanto, apresentada como uma mera hipótese. Factos à parte, esta récita fundadora é o ponto de partida para uma viagem que apenas terminará com os ainda recentes anos 90 do século passado.
Quando a Salome foi apresentada pela primeira vez em Nova Iorque, depois da perturbante dança dos sete véus a filha de JP Morgan fez com que os restantes espectáculos fossem cancelados. Em baixo podemos ver uma récita na Opéra de Paris, em 2003, 96 anos depois de Nova Iorque, em que a conhecida soprano Karita Mattila se despe no final da demoníaca e sensual dança. A história da música, como a nossa história, é feita destas contradições.
Como todos sabemos, no final, Herodes manda matar Salome depois desta beijar os lábios da cabeça de João Baptista que lhe foi entregue numa bandeja de prata.


Publicada por Rui Hermenegildo à(s) 04:52 | 0 comentários   Hiperligações para esta mensagem
sexta-feira, 1 de maio de 2009

Quem tem uma pergunta?*




Apesar de europeísta por convicção, a relação da União Europeia com os seus cidadãos recorda-me a história que Jean-Claude Carrièrre regista na sua Tertúlia de Mentirosos, a propósito de um eremita cristão, com os pés em sangue e a cabeça a arder pelo sol que corria sem destino pela areia e gritava a todos os ecos do deserto, “Tenho uma resposta! Tenho uma resposta! Quem tem uma pergunta?”
Enquanto os cidadãos europeus não se levarem a sério nesta qualidade e não utilizarem o principal instrumento de influência de que dispõem, os partidos políticos continuarão a assobiar para o lado e a cidadania europeia não deixará de ser, nesta medida, mais do que um mero expediente burocrático destinado a conferir uma aparência de legitimidade a um sistema político que carece desesperadamente de mais participação cívica e democrática. Mais do que uma pergunta, os cidadãos europeus deveriam ser convidados a apresentar uma resposta, mas para isso, no dia 7 de Junho, não se podem demitir das suas responsabilidades.

* Artigo sobre as eleições europeias para continuar a ler no próximo número da Revista Obscena que será apresentado na Livraria Trama, na próxima 3.ª-feira, dia 5 de Maio, o meu mês.
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segunda-feira, 27 de abril de 2009

De repente, não mais que de repente






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quinta-feira, 23 de abril de 2009

Brasil em 3 Actos

Acto # 1

Acto # 2

Acto # 3
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terça-feira, 21 de abril de 2009

Kwaidan



Screenshot daqui.

Há filmes assim, que se nos colam à pele depois de terem estado em lista de espera durante meses, talvez anos, apesar das sucessivas recomedações de alguns amigos que são uma fonte inesgotável de curiosidades, para utilizar um eufemismo, como bem sabemos. Assim, Kwaidan, de Masaki Kobayashi (1916-1996), prémio especial do júri de Cannes em 1966, que aparece, onde mais poderia ser, na Criterion Collection.

Quatro histórias de fantasmas, segundo tradicões japonesas, com narrativas tão delirantes como intensas e um trabalho de fotografia e cenografia quase operático, que dificilmente classificaria de terror mas que, pelo menos, me vão deixar inquieto hoje à noite.

Só espero que não neve.



Keiko Kishi como The woman in the snow.
Publicada por Rui Hermenegildo à(s) 05:30 | 2 comentários   Hiperligações para esta mensagem

Susanboylização




O mais recente vídeo viral, que conta já com mais de 70 milhões de visualizações, em menos de duas semanas (?), vem provar três coisas: primeiro, que as pessoas adoram que quem humilha seja humilhado; segundo, que preferem o talento anónimo ao institucional; terceiro, que a esperança vende, e muito.
Publicada por Rui Hermenegildo à(s) 01:18 | 3 comentários   Hiperligações para esta mensagem
segunda-feira, 13 de abril de 2009

Irreparável

A minha exposição terminou ontem, dia de Páscoa, e só posso agradecer a todas as pessoas que me apoiaram e que a visitaram. De regresso do Brasil e ainda em Brazilian mood - mas isso fica para outro post - encontro na caixa de correio um valioso presente da minha amiga Helena Simões: um texto que fecha a exposição, tal como me havia prometido, e que aqui reproduzo integralmente. Obrigado, Helena, pelas palavras que tão bem sabes utilizar, mas sobretudo pelo teu "olhar" que consegue sempre encontrar mais naquilo que faço.

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IRREPARÁVEL*
como eu não sei rezar, só queria mostrar
meu olhar, meu olhar, meu olhar


Não, o belo não é óbvio. Nem evoca necessariamente a harmonia ou a pureza. Talvez convoque, sim, o absoluto, o uno. E revela a imanência. A imanência de algo a que (sabendo ou não) estamos ligados. Neste sentido, o belo é religioso porque re-liga. A revelação é feita através de uma fina passagem, uma porosidade, uma permeabilidade que pode acontecer, por exemplo, ao contemplar as fotografias desta exposição.

Não, não vale a pena ter cautela ou usar alguma outra rotina de distanciamento. Enquanto produzimos o inevitável julgamento estético, as protecções vão-nos sendo retiradas. As erudições, os conceitos, as definições. Permanece apenas o estremecimento. Mas é justamente aí, nessa suspensão, que desvelamos a imagem e acedemos à outra realidade – mais ampla? Mais luminosa?

Não, não é que não seja possível encontrar a narrativa de cada fotografia desta exposição. Podia acontecer que as narrativas se relacionassem numa arquinarrativa interminável, pois todas se gerariam. Mas podemos antes perseguir uma ideia que nos entregue uma das chaves que nestas fotografias abriu a passagem por entre a materialidade das coisas.
Toda a obra de arte é um tiro no véu da realidade. A bala atravessa (a dor d)as coisas e choca com um limite. No movimento do choque – por um instante – a fixidez da terra torna-se aérea ou fluida e é possível vislumbrar o contorno dessa coisa. Quebrar o aparente continuum de uma realidade sem fim. Interrogar o limite. Isso é uma exposição. Ou um abismo.

Nesta exposição há treze maneiras de chocar com as coisas, interrogar o limite e atravessar a dor. Primeira: não atravessar, mas ficar ao lado dela (Homem sem Qualidades, 2003). Segunda: partir à sua procura, como quem desce as escadas, com alegria (Quartier, 2008). Terceira: olhá-la estupefacto e vê-la a aproximar-se (S/Título, 2006). Quarta: esperar por ela (Boa Vista, 2006). Quinta: amá-la (Boa Nova, 2009). Sexta: carregar com ela, com fervor (Antígua, 2006). Sétima: fundir-se com ela (Avó, 2007). Oitava: manipulá-la (Joker, 2004). Nona: entregá-la ao destino (Playing, 2004). Décima: observá-la (Mata, 2008). Décima primeira: reconciliar-se com ela (Palermo, 2005). Décima segunda: levá-la consigo devagarinho e em silêncio (Commuters, 2005). Décima terceira: comungar com ela o mistério (Oração, 2003). Há ainda mais uma maneira: senti-la e sorrir (S/Título, 2005).

Chocar com o limite, atravessar a coisa, interrogar a dor.

Claro que tudo isto é uma interpretação privada, uma construção, uma ficção. Uma histerese.
Não, não vem no Dicionário Imperfeito da Agustina, mas isso é o menos importante porque a aproximação ao conceito é perfeita: “o laço da ficção que gera a expectativa é mais forte do que todas as realidades acumuláveis. Se ele se quebra, o equilíbrio entre os seres sofre grave prejuízo.” E isto podia ser uma variante de histerese.

Não, não nomeei a chave, mas creio que ela fica na intersecção entre o choque e o limite. O choque (o olhar) é vertical, o limite é horizontal, a sugerir a imagem da cruz... encontrei-a em todas as fotografias desta exposição, sem excepção. Irredutível. Do lado de cá, o fotógrafo está no ponto de conflitualidade essencial entre uma realidade velada à espera de ser revelada; o fotógrafo que está no ponto de encontro entre uma visão e a afirmação dela.

Não, não podemos sair sem celebrar a beleza (salvífica?) das fotografias desta exposição. Com Agamben, ao definir o amor (estará assim tão longe do belo?) “ver simplesmente algo no seu ser-assim: irreparável, mas nem por isso necessário; assim, mas nem por isso contingente”. Irreparável.

Helena Simões

* Para a exposição de fotografia – Histerese, de Rui Hermenegildo – Trem Azul Jazzstore, de 12 de Março a 12 de Abril de 2009.
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sexta-feira, 20 de março de 2009

Lisboa na ponta dos dedos

Obrigado, Sancha, por me teres deixado em histerese.

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terça-feira, 17 de março de 2009

A Divina Desordem

Um agradecimento sincero ao amigo Eduardo pela divina referência.

Em troca, a personagem do fim-de-semana, "THE" Captain Feeney. Esperem até ao segundo minuto, para uma das cenas mais hilariantes do melhor filme de sempre.

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sábado, 7 de março de 2009

MONOFOLHA


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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Segundo teste

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Safety net



Não há nada mais angustiante do que terminar um projecto pois deixamos de ter desculpas para adiar aquilo que sabemos que temos de fazer. Terminei a quinta e última temporada do THE WIRE e não vou revelar mais nada pois não sou bufo. Com esta série, nunca a ética da criminalidade foi tão séria.

Ainda sobre o THE WIRE, este fim-de-semana descobri o que se pode chamar de empatia televisiva quando alguém me disse, para reforçar o seu culto pela série, sobre uma conhecida do escritório: "Desconfiava dela, mas quando numa reunião imitou o Clay Davis e disse shiiiiiit, revelou-se-me imediatamente uma outra pessoa".
Publicada por Rui Hermenegildo à(s) 01:50 | 2 comentários   Hiperligações para esta mensagem
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Com um mês de antecedência

Mark Strand, um poeta americano, nascido em 1934 e espero que ainda vivo, escreveu, em 1990, um poema em prosa, a que chamou From a Lost Diary, que uma grande amiga e uma das minhas referências pessoais me deixou na caixa de correio, há quatro anos atrás, pelo menos, ou estarei enganado? Começava com um desarmante I had not begun the great journey I was to undertake. I did not feel like, para continuar, mais à frente, com um tão pessoano There is so much not to do!
No início desta semana, num intervalo do Roberto Bolaño, regressei ao Philip Roth, The Dying animal, que uma outra grande amiga me ofereceu, provavelmente não tão segura de si como a anterior, sem razão, mas com igual força de temperamento e de personalidade. A admiração que tenho pelas duas é idêntica, embora nenhuma saiba. Na página 5 cruzei-me com o adjectivo poignant, que num dos seus possíveis sentidos podemos traduzir por pungente, mas que já ganhou muitos outros entretanto.
Porquê tudo isto?
Estou a preparar uma exposição de fotografia, para inaugurar daqui a um mês, e entre a escolha das ditas e do respectivo conteúdo, fui confrontado com uma questão recorrente: porquê expor ou mostrar alguma coisa? Qual a razão que nos leva a sujeitar à crítica alheia, quando podemos permanecer na nossa zona de conforto na qual todos somos autores brilhantes. Qual é a vontade que nos conduz e que nos faz dizer I did feel like. Talvez apenas porque um amigo nos desafia para isso mesmo, como aconteceu, sem qualquer pretensão, apenas pela amizade e pelo reconhecimento, nunca objectivo, obviamente, por aquilo que de alguma forma criamos.
O flyer anterior é isso mesmo: a exposição já tem um nome, porventura provisório, vai-se realizar e devo-a a todas as pessoas com quem me cruzei nos últimos oito anos. Sim, a ti também.

Nunca serei artista, mas gosto de criar, disse Ésquilo.
Publicada por Rui Hermenegildo à(s) 06:59 | 5 comentários   Hiperligações para esta mensagem

Check sound

Publicada por Rui Hermenegildo à(s) 06:56 | 0 comentários   Hiperligações para esta mensagem
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Garanco-vos que Elina viu tudo



Sou um homem de gostos simples, um melómano moderado que decide os concertos a que assiste com base em critérios igualmente simples. Depois de uns Mogwai, ontem, que apenas pontualmente justificaram a dedicação, blame the sound system, nada como o recital de Elina Garanca, hoje, no sítio do costume.
Publicada por Rui Hermenegildo à(s) 22:43 | 0 comentários   Hiperligações para esta mensagem
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Tipping point

Chegámos ao ponto em que as pessoas inteligentes sentem necessidade de explicar as razões pelas quais estão ou não no Facebook, Twitter ou Whatever. Eu proponho antes o seguinte exercício: não pensem nem se justifiquem demasiado. Utilizem as redes sociais porque consideram que são úteis ou então deixem-nas em paz, mas não julguem os outros, aqueles que as utilizam, do alto da vossa superioridade, porque é isso de que se trata, de um julgamento. Até parece que os Facebookers não preferem o convívio de carne e osso, a leitura ou a escrita, ou que ter poucos "amigos" é um sinal de pouca popularidade. Cada um terá as suas razões para utilizar estas novas "ferramentas", como os outros terão as suas para não as utilizar, e eu próprio começo a pensar que escrever este post poderá parecer uma forma de justificação. A única razão que me poderia fazer abandonar o Facebook, no entanto, é a notícia do dia 2 de Fevereiro, do Telegraph, de que a empresa se prepara para vender a informação pessoal para publicidade. Aliás, já uma vez apaguei a minha conta devido a uma preocupação semelhante.
A apologia dos blogues também não é muito convincente pois, entre links, comentários e por detrás de um aparente anonimato, também são uma rede social. Ou nunca conheceram ninguém através dos blogues?
No Facebook, como nos blogues, cada um escolhe a informação que quer partilhar, os links que quer inserir ou os amigos que quer fazer ou adicionar. Todas estas "ferramentas" são, no entanto, formas de comunicação, de reach out, que eram impensáveis até há bem pouco tempo. Nem todas as pessoas têm colunas em jornais, provavelmente porque não têm nada de interessante para dizer, mas estas redes facilitam a expressão pessoal, e isso parece-me uma coisa boa, apesar de todo o ruído que este facto também envolve. Compete-nos a nós filtrar o desperdício e não negar a evidência da sua possível utilidade.
Publicada por Rui Hermenegildo à(s) 09:39 | 7 comentários   Hiperligações para esta mensagem
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Sir, yes Sir



Mítica cena de Full Metal Jacket, com Matthew Modine, em versão panqueroquer militar, a desafiar R. Lee Ermey:

"Is that you Jonh Wayne? Is this me?"
Publicada por Rui Hermenegildo à(s) 23:43 | 0 comentários   Hiperligações para esta mensagem
terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Música não tão nova mas com prognóstico

Florence and The Machine ::: Dogs days are over

Publicada por Rui Hermenegildo à(s) 05:21 | 1 comentários   Hiperligações para esta mensagem

Ossos do ofício

Publicada por Rui Hermenegildo à(s) 02:44 | 0 comentários   Hiperligações para esta mensagem

Feel good inc.




Vicky, Cristina Barcelona será porventura um filme irrelevante na longa lista de Woody Allen, mas ficará seguramente na história do imaginário masculino, digo do cinema, pelo beijo que Maria Elena rouba a Cristina naquele laboratório de fotografia onde cabe todo o cinema que interessa. A homenagem a Truffaut, com uma reinterpretação do triângulo amoroso de Jules et Jim, agora com quatro lados e um único homem no centro, é apenas um sinal da inteligência, digo da idade, de Woody Allen. Entre a Penélope Cruz, a Scarlett Johansson e a Rebecca Hall, prefiro a Jeanne Moreau.
Publicada por Rui Hermenegildo à(s) 01:05 | 4 comentários   Hiperligações para esta mensagem
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Agora a sério

Não me recordo, do alto dos meus 32 anos, de ter vivido um momento histórico tão importante como o de hoje. Dispensava a oração, não pelo meu ateísmo, mas porque se perde legitimidade para determinadas discussões, onde se exige uma separação entre todos sabemos o quê. O início do juramento poderia ter sido um mau presságio, mas no discurso recuperou a força, a concentração e o carisma que o caracterizam. Tendo sido emotivo e emocional quanto baste, conseguiu evitar repetir o refrão "yes we can" e refutar todas as críticas que lhe fizeram ao longo da campanha, como a tendência para o appeasement ou a aversão ao mercado livre. Centrou as questões nos cidadãos e na cidadania e foi capaz de pontualmente galvanizar a audiência que o ouvia rendida. Ao fazer a apologia dos velhos valores dos pais fundadores para satisfazer as novas necessidades e combater os novos problemas recorreu ao conceito de verdade. Faltou, no entanto, argumentar que esses valores funcionam, para além da sua suposta verdade. A energia e o ambiente foram referidos consecutivamente mas o golpe de asa revelou-se quando se dirigiu directamente aos cidadãos dos países islâmicos: irão sempre julgar os seus governos por aquilo que constroem e não por aquilo que destroem.


Temos Presidente, mas não sei por que razão me lembro sempre do Leopardo.



Publicada por Rui Hermenegildo à(s) 02:18 | 0 comentários   Hiperligações para esta mensagem
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