quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Em tese geral (optimista)
Os defeitos que encontramos na outra pessoa ou a outra pessoa encontra em nós, mais cedo ou mais tarde, acabam por ser considerados como virtudes por outras pessoas.
sábado, 20 de dezembro de 2008
Espectáculo do ano, talvez de uma vida
# 1
Tristan and Isolde
Ópera de Paris
29 de Novembro de 2008
Encenador: Peter Sellars, com projecção de vídeos do Bill Viola
Elenco: Waltraud Meier (Isolde), Clifton Forbis (Tristan), Ekaterina Gubanova (Brangäne), Hans-Josef Selig (King Marke), Alexandro Marco-Buhrmester (Kurwenal), Ralf Lukas (Melot)
Maestro: Semyon Bychov

Waltraud Meier
© Rui Hermenegildo
Tristan and Isolde
Ópera de Paris
29 de Novembro de 2008
Encenador: Peter Sellars, com projecção de vídeos do Bill Viola
Elenco: Waltraud Meier (Isolde), Clifton Forbis (Tristan), Ekaterina Gubanova (Brangäne), Hans-Josef Selig (King Marke), Alexandro Marco-Buhrmester (Kurwenal), Ralf Lukas (Melot)
Maestro: Semyon Bychov

Waltraud Meier
© Rui Hermenegildo
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Fim-de-semana com o morto
Depois de muito reflectir - bom, não muito, mas alguma coisa, tenho tido muito tempo para isso - cheguei à conclusão, mais difícil, que deveria escolher apenas um disco que, de certo modo, representasse 2008, e esse disco é, sem qualquer dúvida, pelo menos para mim, o dos Vampire Weekend, quanto mais não seja porque chegou bem cedo, logo em Janeiro, e me acompanhou ao longo de todo o ano, sem cansaço e sempre com um prazer renovado com a sua companhia. Perdi o concerto em Lisboa, porque estava noutro sítio bem melhor e muito mais bem acompanhado, o que não pode ser considerado traição, apenas selecção natural. Músicas como Oxford Comma, A-Punk, Cape Cod Kwassa Kwassa ou I Stand Corrected são "clássicos instantâneos", que vão resistir aos choques do tempo. Música feliz para pessoas mais, ou menos, felizes. Que venha o próximo.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Juízes Conselheiros
O amigo Eduardo, sempre atento à moderna jurisprudência lusa, enviou-me um extracto de um acórdão do nosso Supremo Tribunal de Justiça no qual três Juízes Conselheiros nos oferecem, nada mais nada menos, do que uma breve história do ruído, e cito:
«Ao principio era o caos e o silêncio infinito.
Aconteceu o grande estrondo e surgiu o céu e a terra.
Surgiram os mares e as fontes, as florestas e os animais.
Surgiu o paraíso com o seu ruído de fundo.
Surgiu o Homem senhor do paraíso.
E o Homem fez surgir o martelo e a bigorna , o foguete e o tron , o motor a vapor e de explosão , o avião e a bomba H.
O Homem sentiu que podia estar próximo outro grande estrondo, o caos e o silêncio infinito.
O Homem resolveu pensar e , pensando, gritou:
"Todos têm o direito a um ambiente de vida humano, sadio e ecologicamente equilibrado e o dever de o defender."
E envolveu na tarefa de garantir esse ambiente o Estado e os cidadãos.
Mas o Homem não achou ser bom voltar ao paraíso, achou que o progresso era bom e devia continuar, o que havia a fazer era caminhar corrigindo e ordenando as actividades limitando a face negativa das mesmas.
Os homens deviam conviver com o ruído e tudo fazer para o limitar a valores suportáveis.
E o Estado começou por definir as medidas que deviam ser tomadas para prosseguir os objectivos que o Homem lhe fixou.
Entre elas considerou as que visem "garantir o mínimo impacte ambiental , através de uma correcta instalação em termos territoriais das actividades produtivas."
E assim surgiu (entre outras) o D.L. 251/87 (RGR)»
Em Portugal proliferam talentos desaproveitados.
«Ao principio era o caos e o silêncio infinito.
Aconteceu o grande estrondo e surgiu o céu e a terra.
Surgiram os mares e as fontes, as florestas e os animais.
Surgiu o paraíso com o seu ruído de fundo.
Surgiu o Homem senhor do paraíso.
E o Homem fez surgir o martelo e a bigorna , o foguete e o tron , o motor a vapor e de explosão , o avião e a bomba H.
O Homem sentiu que podia estar próximo outro grande estrondo, o caos e o silêncio infinito.
O Homem resolveu pensar e , pensando, gritou:
"Todos têm o direito a um ambiente de vida humano, sadio e ecologicamente equilibrado e o dever de o defender."
E envolveu na tarefa de garantir esse ambiente o Estado e os cidadãos.
Mas o Homem não achou ser bom voltar ao paraíso, achou que o progresso era bom e devia continuar, o que havia a fazer era caminhar corrigindo e ordenando as actividades limitando a face negativa das mesmas.
Os homens deviam conviver com o ruído e tudo fazer para o limitar a valores suportáveis.
E o Estado começou por definir as medidas que deviam ser tomadas para prosseguir os objectivos que o Homem lhe fixou.
Entre elas considerou as que visem "garantir o mínimo impacte ambiental , através de uma correcta instalação em termos territoriais das actividades produtivas."
E assim surgiu (entre outras) o D.L. 251/87 (RGR)»
Em Portugal proliferam talentos desaproveitados.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
A Rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo

Nunca me interessei muito por policiais, mas a verdade é que em menos de uma semana devorei o primeiro volume e comecei ontem o segundo da trilogia de Stieg Larsson, Millenium.
Dispensava o "product placement" que atravessa um pouco todo o livro, entre produtos da Macintosh e da Hasselblad ou outras que tal, mesmo sendo fã das duas marcas, mas só a personagem Lisbeth Salander já justificava o culto.
Jingle Jams
O Natal é sempre propício às cançonetas e vai daí a NPR pediu a dez estações de rádio que enviassem as suas 10 canções de Natal preferidas e que podem ser ouvidas aqui, em stream. Eu continuo a preferir o clássico dos Ramones, 'Cause Christmas ain't the time for breaking each other's hearts'.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Variedades suecas

Cheguei cedo, talvez cedo de mais, mas àquela hora as pessoas já se alinhavam pela porta de entrada, à espera de um lugar ao lado do palco. Passado pouco tempo, a fila já era um grande arco. Depois de entrar, lá consegui um lugar mais do que privilegiado, uma autêntica novidade para mim. À minha frente tinha apenas um casal que ultimava o seu passatempo preferido: escrever “hug me”, neste caso nas próprias mãos, e esperar pelo momento apropriado para conseguir a atenção do artista e receber o referido abraço. Pareceu-me um pouco patético, confesso, mas quem sou eu para julgar os hábitos das pessoas. “Ontem conseguiu um tele-beijo”, dizia-me a namorada com um orgulho evidente. Esqueci-me de perguntar de quem e o que é um tele-beijo. Enfim. A dita namorada tinha pouco mais de um metro e cinquenta, o que me proporcionou uma vista tão desafogada quanto próxima da Lykke Li. E aqui chegamos ao que interessa. Depois de quase um ano a falar da senhora sueca, finalmente tinha-a à minha frente. Permitam-me, por isso, um comentário lateral para afirmar que a Lykke Li, a Marina Mota que me perdoe, tem as pernas mais bonitas que o Parque Mayer viu em muitos anos. Entrou, mexeu-se, remexeu-se, tocou, cantou, pulou, encantou. Aqueles saltinhos que quase simulam um desmaio são inesquecíveis e a sua voz megafónica permanece no subconsciente por bastante tempo. A versão de Cape Cod Kwassa Kwassa, dos Vampire Weekend, apanhou-me desprevenido, mas foram as suas próprias músicas que se transcenderam, conquistando ao vivo uma energia que no disco é mais dissimulada. Nota-se que é no palco que a personalidade de Lykke Li se desenvolve e essa euforia passa para quem está a assistir, por contraste com a outra sueca do festival, Sarah Assbring, que fez o apoio vocal em duas músicas, e parecia estar em lamento constante pela morte do seu animal de estimação. Para mim, faltou a “Time Flies”, mas menos de uma hora de concerto não dá para muito mais e o que tivemos foi o melhor concerto do Super Bock em Stock. Faltou outra coisa, muito mais importante, mas essa não posso nomeá-la aqui.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Música Nova: Fan Death
Depois de Chromatics, Glass Candy, et al: Fan Death, com Veronica's Veil.
Mr Erol Alkan já remisturou, re-editou e essas coisas todas.
This Charming Man
1.ª noite Stock em Bock ou lá o que isto é (em anotações rápidas)
Ladyhawke:
Foi uma desilusão ver a nova-zelandesa sem qualquer garra, a arranhar a guitarra, por sinal lindíssima, enquanto desfilava as músicas que lhe conquistaram o hype. Não demonstrou a convicção necessária e saí antes de "Paris is Burning". Um músico que não toca como se fosse a última vez não merece o nosso respeito.
Santogold:
O melhor momento da noite foi-nos proporcionado pela remistura e a entrada inusitada do "This Charming Man", no aquecimento para Santogold, pelo DJ da dita. Há músicas que têm este efeito e simplesmente não estava à espera. Santogold agarrou bem o público e, ao contrário de Ladyhawke, justificou plenamente o hype e comprovou o seu carisma. Saí antes de acabar, pois a sala há muito que estava irrespirável, para mim entenda-se.
Rui Reininho:
Picar o ponto no one-man-show-Reininho, com banda à altura e Armando Teixeira. Só ouvi uma música e quase fui expulso por não ter credencial de fotógrafo. Situação a rever.
El Perro del Mar:
A hora avançada pedia algo mais animado, mas a voz de Sarah Assbring conseguiu embalar-nos apesar do ruído de fundo, por vezes demasiado incómodo, que vinha do Bar. Tudo muito triste e pungente àquela hora da noite.
E para hoje, Lykke Li, finalmente.
Estupidez "na hora"
Desde Março de 2007, passou a ser possível constituir associações "na hora”, o que, ao lado das empresas "na hora”, traduz uma medida emblemática do programa SIMPLEX do Governo de José Sócrates. Pretende-se com isto, julgo eu, promover o movimento associativo e desenvolver o chamado "Terceiro Sector". Os cidadãos que pretendam constituir uma associação "na hora" têm, no entanto, de escolher uma denominação entre uma lista previamente fornecida pelo Ministério da Justiça.
Caso não tenham nada para fazer, ou cheguem lá por ossos do ofício, como foi o meu caso, recomendo vivamente a leitura da referida lista de denominações, cujo número 0 é uma cinematográfica “007...ORDEM PARA BRINCAR”. Afinal sempre estamos em mês de Bond, e o "Quantum of Solace" já estava registado. Mas não pensem que as mentes criativas do Ministério se ficam por aqui, não, e deixo em baixo apenas uma selecção aleatória. Não entendo como é que a lista ainda é tão longa, deve ser seguramente pela diminuição do associativismo em Portugal. Não se inibam de experimentar e fazer “associações”, passo a expressão, pois é um óptimo exercício linguístico.
(as propostas de denominação do Ministério estão em MAIÚSCULAS):
- À SOMBRA DA BANANEIRA, que se poderia conjugar com AFASTAPREGUIÇA
- ABELHINHA MATREIRA, para apicultores?
- ABRAÇO APERTADO, que poderia ser uma filial da AFECTOS À SOLTA ou da PRAZER DE DAR
- ANJINHO DA MAMÃ, que seria o predilecto da MODERNASEDUTORA, SEMPRE SOLTA e com ORDEM PARA DOMINAR, depois de um PECADO BEM PASSADO, em POSIÇÃO VERTICAL e com PERNAS PARA ANDAR, SENSAÇÕES AOS MOLHOS e em SESSÃO CONTÍNUA
- SUSSURROS MISTERIOSOS da TURMA DO LAZER, em ÚNICA PAIXÃO
- ANTIGAS & ENIGMÁTICAS com RESMAS DE SEDUÇÃO em RITUAL PRIVADO para deixar SEMENTE GIGANTE
- ASSUNTOS COM INTERESSE, em que é que estariam a pensar?
- BODA & BANDURRA, como?!?
- BRANCAÓLICOS, para os viciados na branca
- CALOTE ESFÉRICA, para o sistema financeiro
- INTUIÇÃO MASCULINA, não têm INTUIÇÃO FEMININA, já devia estar tomada
- LETRA DE FORMA, o Augusto Seabra que se cuide
- LOGIN FOR LOVE, deve ser para speed-dating, afiliada da MEETINGTOWN
- MARRETADAS NO PASSADO, para REFINAR ESTRATÉGIAS e RESGATAR MOMENTOS
- Varações em dourado: BASTÃO DOURADO, CREPÚSCULO DOURADO, MILHAFRE DOURADO, DIAS DOURADOS, FLABELO DOURADO, FUNDO DOURADO, NICHO DOURADO, PINÁCULOS DOURADOS, VASO DOURADO, VERÃO DOURADO, CHUVA... NÃOAOO!!!
- ÓPTIMO ASTRAL, por causa do acordo ortográfico
- PAELHA D'OPORTUNIDADES, pelos nossos hermanos
- PARE, ESCUTE E ESCOLHA, para aproveitar frases célebres, ou não
- PASSWORD A BORDO, versão web 2.0.
- TALCO E TERNURA, para associações de mães, espero
- TUDO TEM UMA CAUSA... (as reticências fazem parte da denominação).
E finalmente,
- DE MIAR POR MAIS
Caso não tenham nada para fazer, ou cheguem lá por ossos do ofício, como foi o meu caso, recomendo vivamente a leitura da referida lista de denominações, cujo número 0 é uma cinematográfica “007...ORDEM PARA BRINCAR”. Afinal sempre estamos em mês de Bond, e o "Quantum of Solace" já estava registado. Mas não pensem que as mentes criativas do Ministério se ficam por aqui, não, e deixo em baixo apenas uma selecção aleatória. Não entendo como é que a lista ainda é tão longa, deve ser seguramente pela diminuição do associativismo em Portugal. Não se inibam de experimentar e fazer “associações”, passo a expressão, pois é um óptimo exercício linguístico.
(as propostas de denominação do Ministério estão em MAIÚSCULAS):
- À SOMBRA DA BANANEIRA, que se poderia conjugar com AFASTAPREGUIÇA
- ABELHINHA MATREIRA, para apicultores?
- ABRAÇO APERTADO, que poderia ser uma filial da AFECTOS À SOLTA ou da PRAZER DE DAR
- ANJINHO DA MAMÃ, que seria o predilecto da MODERNASEDUTORA, SEMPRE SOLTA e com ORDEM PARA DOMINAR, depois de um PECADO BEM PASSADO, em POSIÇÃO VERTICAL e com PERNAS PARA ANDAR, SENSAÇÕES AOS MOLHOS e em SESSÃO CONTÍNUA
- SUSSURROS MISTERIOSOS da TURMA DO LAZER, em ÚNICA PAIXÃO
- ANTIGAS & ENIGMÁTICAS com RESMAS DE SEDUÇÃO em RITUAL PRIVADO para deixar SEMENTE GIGANTE
- ASSUNTOS COM INTERESSE, em que é que estariam a pensar?
- BODA & BANDURRA, como?!?
- BRANCAÓLICOS, para os viciados na branca
- CALOTE ESFÉRICA, para o sistema financeiro
- INTUIÇÃO MASCULINA, não têm INTUIÇÃO FEMININA, já devia estar tomada
- LETRA DE FORMA, o Augusto Seabra que se cuide
- LOGIN FOR LOVE, deve ser para speed-dating, afiliada da MEETINGTOWN
- MARRETADAS NO PASSADO, para REFINAR ESTRATÉGIAS e RESGATAR MOMENTOS
- Varações em dourado: BASTÃO DOURADO, CREPÚSCULO DOURADO, MILHAFRE DOURADO, DIAS DOURADOS, FLABELO DOURADO, FUNDO DOURADO, NICHO DOURADO, PINÁCULOS DOURADOS, VASO DOURADO, VERÃO DOURADO, CHUVA... NÃOAOO!!!
- ÓPTIMO ASTRAL, por causa do acordo ortográfico
- PAELHA D'OPORTUNIDADES, pelos nossos hermanos
- PARE, ESCUTE E ESCOLHA, para aproveitar frases célebres, ou não
- PASSWORD A BORDO, versão web 2.0.
- TALCO E TERNURA, para associações de mães, espero
- TUDO TEM UMA CAUSA... (as reticências fazem parte da denominação).
E finalmente,
- DE MIAR POR MAIS
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
How do I love Thee?

XLIII
How do I love thee? Let me count the ways.
I love thee to the depth and breadth and height
My soul can reach, when feeling out of sight
For the ends of Being and ideal Grace.
I love thee to the level of everyday's
Most quiet need, by sun and candle-light.
I love thee freely, as men strive for Right;
I love thee purely, as they turn from Praise.
I love thee with a passion put to use
In my old griefs, and with my childhood's faith.
I love thee with a love I seemed to lose
With my lost saints, --- I love thee with the breath,
Smiles, tears, of all my life! --- and, if God choose,
I shall but love thee better after death.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Coisas que nos fazem sentir bem
Com votos de uma rápida recuperação, um agradecimento sincero à Carla Hilário Quevedo, pelo destaque. O Domínio dos Deuses sente-se um condomínio de luxo e, apesar do risco de «deflação», até já aumentámos os preços.
Agora vou ali assistir ao lançamento d'A Nova Esquerda,
Raízes teóricas e horizonte político, do Celso Cruzeiro: "O essencial da resposta a dar por uma esquerda nova, na difícil hora que atravessamos, passa pois pela questão de saber ler os sinais que a realidade de hoje lhe aponta: a urgência da construção de um programa emancipatório que constitui a sua identidade matricial, mas agora despido da certeza, do determinismo e da universalidade, tão só passível de ser desenhado no quadro da probabilidade, da contingência e da historicidade".
Esquerda e física quântica, só pode ser coisa boa.
Agora vou ali assistir ao lançamento d'A Nova Esquerda,
Raízes teóricas e horizonte político, do Celso Cruzeiro: "O essencial da resposta a dar por uma esquerda nova, na difícil hora que atravessamos, passa pois pela questão de saber ler os sinais que a realidade de hoje lhe aponta: a urgência da construção de um programa emancipatório que constitui a sua identidade matricial, mas agora despido da certeza, do determinismo e da universalidade, tão só passível de ser desenhado no quadro da probabilidade, da contingência e da historicidade".
Esquerda e física quântica, só pode ser coisa boa.
domingo, 23 de novembro de 2008
Sir Vidia

Esta tarde, na Fundação que alguns blogues persistem em denegrir, confundindo a árvore com a floresta, porque sim, porventura devido a alguma desonestidade intelectual, mas isso seria impossível de comprovar, excepto por métodos igualmente ilegítimos, entenda-se, no âmbito da exposição acusada de supremo "cabotinismo", Sir Vidia Naipaul, após uma leitura comovente, com um sotaque irrepreensível, leu excertos do auto-biográfico "The Enigma of The Arrival" (1987) e aceitou questões de uma plateia mais ou menos embevecida, incluindo de Maria Filomena Mónica, que interpelou Naipaul sobre a vantagem da periferia para una análise mais acutilante da realidade. O Nobel, com algumas dificuldades de audição, lá foi respondendo, pausadamente, reverberando aquilo que constitui uma lição de vida: não existem métodos de criação, nem ideologias de comportamento, apenas a liberdade de pensarmos por nós próprios.
Justiça em acção
"Inserido no programa recreativo do Oitavo Congresso [dos Juízes Portugueses], realiza-se um torneio de golfe, dia 23 de Novembro, na Quinta da Barca, Esposende, aberto a Juízes, Procuradores, Advogados e Funcionários Judiciais e familiares."
César, desculpa-me a piada fácil, espero que o congresso tenha sido um sucesso.
César, desculpa-me a piada fácil, espero que o congresso tenha sido um sucesso.
sábado, 22 de novembro de 2008
O improvável não é impossível
Acabo de ler o FT, edição de fim-de-semana, e já não me apetece sair de casa, com medo de que o mundo acabe entretanto. Ou então deveria sair, para aproveitar o tempo que resta, mas pode dar-se o caso das simulações em lisboa serem mais reais do que pensamos. Enfim, uma maçada. Quanto mais leio sobre a crise económica mais fico com a convicção que ninguém sabe muito bem o que está a fazer e que, por mais que se faça ou se tente fazer, nada será suficiente para corrigir os erros de duas décadas de concentração irresponsável de riqueza nas mãos de uns poucos. Como ainda faltava alguma irracionalidade no sistema, os bancos estão tão receosos de emprestar dinheiro que com isso estão a arruinar a sua própria profissão. Não é necessário ser um guru da gestão, para compreender que sem crédito não há economia e que sem economia não há sistema bancário. Mas no meio de todas estas catástrofes, que já se traduzem em 80.000 desempregados, só nos últimos 5 dias, sempre conseguimos ler notícias que nos arrancam uma gargalhada. Ora, imaginem que são médicos e que se preparam para fazer uma operação que pode mudar o paradigma da medicina moderna tal como a conhecemos. Vivem no Reino Unido, por exemplo, e a operação cirúrgica vai ter lugar em Barcelona. Na viagem têm de levar convosco organismos vivos, no caso, células com poucas horas de vida cultivadas em laboratório que introduziram, suponho eu, num recipiente apropriado. Neste caso, o que fariam? Naturalmente, comportar-se-iam como professores universitários com vários doutoramentos em carteira e comprariam uma viagem numa companhia low-cost, confiantes que esta tivesse uma tarifa especial para organismos vivos que são seres humanos em potência. Errado? Pois foi o que fizeram Martin Birchall e Anthony Hollander, dois reputados cientistas da Universidade de Bristol, em trânsito para um transplante de traqueia que iria utilizar tecido humano criado a partir de células estaminais do próprio paciente. O irónico da situação, para além da situação em si, é que um dos cientistas, Martin Birchall, quase ia sendo preso por se ter revoltado quando a Easy-Jet lhe recusou a entrada no avião. Conhecendo o temperamento anglo-saxónico, conseguimos facilmente adivinhar a acesa discussão, a troca de insultos e a violência que se devem ter seguido ao incidente. Felizmente existem aviões-como é que não me tinha lembrado disto antes- privados, e a colombiana Cláudia Castillo foi transplantada com sucesso. A história, séria, pode ser lida aqui, ou em registo jornalístico aqui.
Ah, este sou eu, em versão Simpsons. Também devo ter acordado assim.
Ah, este sou eu, em versão Simpsons. Também devo ter acordado assim.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Série BONFIM DE SEMANA: Esta já é antiga mas não me sai da cabeça há umas semanas.
Junior Boys ::: In The Morning
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