sábado, 22 de novembro de 2008

O improvável não é impossível

Acabo de ler o FT, edição de fim-de-semana, e já não me apetece sair de casa, com medo de que o mundo acabe entretanto. Ou então deveria sair, para aproveitar o tempo que resta, mas pode dar-se o caso das simulações em lisboa serem mais reais do que pensamos. Enfim, uma maçada. Quanto mais leio sobre a crise económica mais fico com a convicção que ninguém sabe muito bem o que está a fazer e que, por mais que se faça ou se tente fazer, nada será suficiente para corrigir os erros de duas décadas de concentração irresponsável de riqueza nas mãos de uns poucos. Como ainda faltava alguma irracionalidade no sistema, os bancos estão tão receosos de emprestar dinheiro que com isso estão a arruinar a sua própria profissão. Não é necessário ser um guru da gestão, para compreender que sem crédito não há economia e que sem economia não há sistema bancário. Mas no meio de todas estas catástrofes, que já se traduzem em 80.000 desempregados, só nos últimos 5 dias, sempre conseguimos ler notícias que nos arrancam uma gargalhada. Ora, imaginem que são médicos e que se preparam para fazer uma operação que pode mudar o paradigma da medicina moderna tal como a conhecemos. Vivem no Reino Unido, por exemplo, e a operação cirúrgica vai ter lugar em Barcelona. Na viagem têm de levar convosco organismos vivos, no caso, células com poucas horas de vida cultivadas em laboratório que introduziram, suponho eu, num recipiente apropriado. Neste caso, o que fariam? Naturalmente, comportar-se-iam como professores universitários com vários doutoramentos em carteira e comprariam uma viagem numa companhia low-cost, confiantes que esta tivesse uma tarifa especial para organismos vivos que são seres humanos em potência. Errado? Pois foi o que fizeram Martin Birchall e Anthony Hollander, dois reputados cientistas da Universidade de Bristol, em trânsito para um transplante de traqueia que iria utilizar tecido humano criado a partir de células estaminais do próprio paciente. O irónico da situação, para além da situação em si, é que um dos cientistas, Martin Birchall, quase ia sendo preso por se ter revoltado quando a Easy-Jet lhe recusou a entrada no avião. Conhecendo o temperamento anglo-saxónico, conseguimos facilmente adivinhar a acesa discussão, a troca de insultos e a violência que se devem ter seguido ao incidente. Felizmente existem aviões-como é que não me tinha lembrado disto antes- privados, e a colombiana Cláudia Castillo foi transplantada com sucesso. A história, séria, pode ser lida aqui, ou em registo jornalístico aqui.



Ah, este sou eu, em versão Simpsons. Também devo ter acordado assim.

Publicada por Rui Hermenegildo à(s) 23:08 |  

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